LEIA - Quem somos

O projecto LE.I.A. continua activo e aparece agora renovado: ao associar-se ao projecto LER+ do Plano Nacional de Leitura, ganhou a sigla M.L.M (Melhores Leitores do Mundo). Continua a ser um espaço de partilha de experiências de leitura, mas integra agora na sua estrutura um verdadeiro clube de alunos leitores.

Permanece, no entanto, sempre aberto às sugestões de leitura que nos queiram enviar. Por isso, se acabou de ler um livro e gostou, escreva alguma palavras sobre ele e envie o texto para
leia.esmtg@gmail.com. Nós temos o maior gosto em publicá-lo no blogue.
Sugira. Comente. Participe. O blogue é o seu espaço.

Ana Gonzaga

Rosário Cardoso







Mostrar mensagens com a etiqueta Sugestão de Leitura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sugestão de Leitura. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Danças Malditas

Esta colectânea de contos sobrenaturais chega-nos às mãos através da Bertrand, que aposta mais uma vez em surpreender os seus leitores. Cinco autoras polémicas, como Stephenie Meyer e Meg Cabot, relatam a sua versão do famoso baile de finalistas, o eterno tormento de qualquer rapariga, onde quer o amor quer o terror parecem estar à espreita. Tudo está preparado para receber de braços abertos a dança maldita que transformará a vida destas adolescentes, e nos dará um novo olhar sobre os bailes de finalistas. De escrita leve e juvenil, a uma seriedade desconcertante, as cinco escritoras dão vida às suas personagens de tal forma que desejaríamos que a narrativa nunca terminasse, e que a história destas jovens heroínas se prolongasse para além das curtas páginas que duram os contos. Aventure-se nesta dança.

Teresa Garrocho

O Festim dos Corvos

George R. R. Martin prossegue com a mais audaciosa saga desde Tolkien no sétimo volume das "Crónicas de Gelo e Fogo" - "O Festim dos Corvos". A Locus afirma que esta obra "reúne o que de melhor o género tem para oferecer: magia, mistério, intriga, romance e aventura" e nós confirmamos. Após o triunfo dos traidores a desfeita Casa Lannister prossegue com o jovem Rei Tommen e Cersei, a Regente no poder em Porto Real, numa luta para consolidar o poder e reestabelecer a ordem num Reino desfeito pela pobreza e ganância. Os Greyjoy lutam entre si para decidir quem ocupará o trono no Norte, e os jovens Stark, dispersos pela terra, tentam a sua sorte no Jogo dos Tronos. Rumores sobre dragões assolam Westeros, contudo os proclamados Reis ignoram o avanço de Daenerys e das suas crias. Em múltiplas narrativas a vida nos Reinos desenrola-se sobre o nosso olhar, e a intriga adensa-se, não deixando qualquer espaço para dúvidas - George Martin é o mestre da fantasia moderna, e um autor brilhante.

A Sacerdotisa dos Penhascos


A mais recente obra de Sandra Carvalho é definitivamente uma confirmação do seu talento. "A Sacerdotisa dos Penhascos" é uma prova de que a literatura fantástica portuguesa continua a evoluir e a ganhar cada vez mais qualidade. Com descrições fantásticas e uma narrativa impecável, a "Saga das Pedras Mágicas" continua e uma nova geração desponta para completar o destino herdado. Halvard e Kelda são os filhos dos Guardiões das Lágrimas do Sol e da Lua, e deles herdaram as habilidades mágicas que lhes pulsam no sangue. Mas enquanto Kelda se revela inábil e pacífica, Halvard revela um enorme talento para a magia obscura, e um temperamento irascível. Raptado por Sigarr, Mestre da Arte Obscura, é levado para concluir a profecia a que o seu pai se escapara. Kelda é entregue à Ilha do Penhasco para aprender a despertar a sua magia, porém tudo se descontrola e o Destino conspira contra si, despertando o ódio em quem a amava. Rodeada de inimigos e sobre o jugo da profecia, conseguirá Kelda salvar-se e ao irmão do abismo? Um livro arrebatador de uma autora incontornável do fantástico português.
Teresa Garrocho

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

João Tordo, Hotel Memória


Quantos de nós não têm familiares ausentes, a viver noutro país ou até mesmo noutra cidade.
Quantos de nós já não nos imaginámos nessa mesma situação?

Projectamo-nos para um futuro, não muito longínquo, vemo-nos noutra cidade, noutro país, a falar outra língua e a contemplar outra cultura…

Este livro fala-nos exactamente dum caso desses. O narrador deste romance é um estudante que, ao chegar a Nova Iorque para uma pós-graduação, conhece na Universidade uma rapariga bastante enigmática chamada Kim, pela qual nutre uma avassaladora paixão. Por entre ruas de Nova Iorque, aulas da Universidade, novos convívios, leituras de rotina, este acaba por se aproximar de Kim, embora não chegue nunca a decifrar inteiramente os mistérios que envolvem esta rapariga.

De um momento para o outro, este é surpreendido com a trágica morte de Kim, algo inesperado que o vai encher de culpa e acaba por lançá-lo para uma declinante desgraça e miséria, que o transformará num autêntico vagabundo. É então que, sem dinheiro, sem bens e sem vontade de viver, o protagonista chega ao Hotel Memória, um estranho lugar na Baixa de Manhattan que parece destinado a albergar criaturas perdidas; e é também aí que conhece Samuel, um excêntrico milionário que o desafia a procurar um fadista português desaparecido, Daniel da Silva, emigrado para os Estados Unidos na década de sessenta. A pouco e pouco, deparando-se com o inesperado a cada esquina, o narrador vai-se embrenhando nesse enigma por resolver, e a busca por Daniel da Silva transforma-se na busca do seu próprio eu, da sua identidade perdida e do seu passado. Tendo Nova Iorque como pano de fundo, dos anos sessenta até ao presente, e criando a figura inesquecível de Daniel da Silva, o fadista que conquista Manhattan com o seu talento, viajamos também um pouco pelo mundo do fado.

Hotel Memória é, ao mesmo tempo, um romance de mistério, um policial e uma aventura.

É assim que João Tordo, um jovem escritor de 35 anos, Licenciado em Filosofia na Universidade Nova de Lisboa, que venceu o Prémio José Saramago 2009 com o romance "As Três Vidas", nos deixa assombrados com este belíssimo livro, ao mesmo tempo intrigante e comovente, que lida com os fantasmas da memória, da culpa e da redenção. Aconselho vivamente, é um daqueles livros que devemos ter na nossa estante e partilhar com amigos e familiares.

sábado, 12 de dezembro de 2009

José Saramago, Caim

Caim... o nome ressoa-me na mente, mas não o identifico imediatamente. Faço uma pequena pesquisa na Internet e logo entro num longínquo passado - como Caim - e recordo. Relembro a minha fugaz passagem por Monchique num assombroso Verão onde ainda mais assombrosas leituras pagãs fiz, leituras que me despertaram a curiosidade para as denominadas sagradas escrituras, que efectivamente li sob a égide do meu cepticismo. Relembrei nessa fugidia memória, o jardim do Éden, onde Adão e Eva passaram muitos anos, tendo sido depois castigados e ido viver para a Terra, só por comerem um fruto de uma árvore, (que crime mais patético de se cometer!). Recordo também os seus filhos, os dois primeiros, em especial, Abel e Caim, nomes indissociáveis pelo seu entrosamento e história, mas que eu ousei dissociar. Mais cuidado tenho de ter, pelo receio da fúria divina que, segundo Saramago, é fatal!


Ora bem, quem conhece a história como deve de ser apercebe-se de que o Senhor é alvo de uma chantagem por parte do assassino Caim, e Deus faz um pacto com ele. Caim deve deixar tudo o que tem para trás e ter uma vida de forasteiro e de permanente viajante, não encontrando pouso em algum lugar da Terra; em troca, Deus marca Caim com um sinal na sua testa e, dessa forma, Caim estará preservado de todos os males violentos do Mundo e só morrerá por morte natural.

Caim parte e toma o caminho, para alguns, o que Deus lhe mostrar, para outros, o que lhe aprouver.

De alguma forma, que o autor não explica, Caim ganha o poder de, sem o controlar, viajar pelos futuros, que para ele se tornaram presentes, e assistir a alguns episódios que mostram uma imagem muito diferente, digamos assim, da imagem que temos de Deus.

É um livro que aconselho vivamente para quem se sente curioso sobre que tipos de episódios são esses e no que consistem. Para os que se assumem cristãos, penso que a leitura deste livro poderá ser chocante. Acima de toda a polémica que o envolve, acho que é um livro escrito de forma exímia e desafiante para os alunos que estejam a iniciar leituras mais “sérias”.

Ruben dos Santos

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Anne Bishop, A Aliança das Trevas

A autora de “A Trilogia das Jóias Negras” mostrou mais uma vez a sua perícia no mundo do fantástico. “A Aliança das Trevas” é um romance que integra o cenário obscuro, intenso e marcadamente sensual das obras anteriores, levando o leitor a mergulhar no universo criativo de Anne Bishop.


Quem não leu os livros anteriores terá dificuldade em entender a sociedade dos “Sangue”, regida pelas mulheres e onde o poder assenta na magia contida em Jóias, de acordo com o seu poder e na casta de cada indivíduo. Uma sociedade onde os machos servem uma Rainha, que controla o território, com lealdade incondicional… ou pelo menos assim deveria ser.

Neste novo volume seguimos a história do último primogénito descendente de Lia e Jared, Theran Greyhaven, e a sua tentativa de repor a paz em Dena Nehele. Com a ajuda de Saetan, o Senhor Supremo do Inferno e de Jaenelle, ex-Rainha de Ebon Askavi, Theran contrata Cassidy- Rainha rejeitada pela sua própria corte por não ser atraente - para assumir o poder na sua terra natal. As diferenças entre Cassidy e Theran põem o território em xeque, e a instabilidade começa a fazer-se sentir, mas a bondade e amizade da nova Rainha, e o apoio da sua nova corte depositam esperança no coração do povo.

Mais do que a história de Dena Nehele, o que realmente impressiona são as relações entre personagens, complexas, diversificadas, tipicamente humanas: Theran, pela sua perseverança, Cassidy pela sua teimosia, alegria e carinho, Saetan na sua paciência, Daemon e Lucivar, como protectores, guardiães e Jaenelle como a roda-viva, a Rainha pela qual todos os Sangue se regem. Bishop traz-nos mais uma vez uma história repleta de emoções, onde as personagens tornam-se de tal maneira familiares, que nos parecem reais. Recomenda-se.

Teresa Garrocho

domingo, 22 de novembro de 2009

José Saramago, Ensaio sobre a Cegueira


“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”
Nascemos dotados de uma capacidade que nos permite ter uma noção das formas que existem no mundo, das cores, da beleza e da diversidade que o revestem – ver. Mas nem todos vêm. Olham. Olham imagens, mas a o hábito, e sobretudo a indiferença não possibilitam que estas imagens sejam observadas, “vistas”. Assim, reparar, ver, não é nada mais do que libertar-se da superficialidade da visão para aprofundar o interior do que é o homem e, finalmente, conhecê-lo.

A partir desata frase – “Se podes ver, repara.”- Saramago constrói um mundo que literalmente não vê. Esse “não ver” não é uma doença que surge de outro mundo, é uma doença que sempre existiu na nossa sociedade.

Basta olhar à nossa volta: temos tudo. Sistemas que asseguram o nosso bem-estar. Créditos, bancos, mercados, fábricas, escritórios, centros de saúde e apoios para idosos. Temos um estado, um governo que organiza tudo. Para fazer parte desta sociedade basta adaptar-se às regras e pagar impostos. Acreditamos que somos infalíveis e que estamos seguros. O castelo de cartas está perfeito. Mas … se uma carta deste castelo cair? Se todo o castelo ruir, como poderemos sobreviver?

Estamos tão habituados ao nosso mundo que “perdemos a nossa vista”; a superficialidade com que nos fazemos “felizes” impede-nos de reparar para além das aparências.

José Saramago vê então a cegueira como uma alegoria, configurando o estado de crise em que vive a nossa sociedade. Os seus pilares são tão fracos que basta um vento para destruí-los. É por isso que a sociedade descrita pelo autor não é capaz de se organizar quando os seus membros cegaram. A nossa sociedade não é mais do que um ser vivo que precisa de comida e de bebida. Por que razão é que as personagens de “Ensaio sobre a cegueira” se comportam como animais selvagens ao terem perdido a luz dos olhos? Onde está o “fato” que os distinguia dos animais? No manicómio, para onde são evacuados os cegos, as regras do humano são quebradas, em nome da “força do mais forte”. Aí, o instinto de sobrevivência das personagens toma conta destas. No manicómio, os anéis, a prata e o ouro não valem nada. É necessário chegar até à comida.

“Um corpo também é um sistema organizado, está vivo enquanto se mantém organizado, E como poderá uma sociedade de cegos organizar-se para que viva, Organizando-se, organizar-se já é, de uma certa maneira, começar a ter olhos, terás razão, talvez, mas a experiência desta cegueira só nos trouxe morte e miséria, os meus olhos, tal como o teu consultório, não serviram para nada.”

Enfim… a obra é um convite de José Saramago para pensarmos na humanidade, no mundo que ainda não aprendemos a olhar.

Ao ler este livro sentia a confusão, o medo que circulava pela cidade. Quando fechava os olhos e os abria de novo, sentia-me feliz, grata pela luz e pelas cores que chegavam aos meus olhos.

O médico e a sua mulher, a única personagem que não cega, a única luz no escuro, talvez o resto de amor, de sensibilidade e de juízo que existe dentro de nós, foram para mim os heróis da história. Quase que me sentia responsável por esta última, não poderia acabar de ler e deixá-la sozinha. O que mais me fascinou no livro foi a possibilidade de “sentir” como se estivesse nesse mundo imaginado por Saramago. Sentir. Ver. Apreciar. Reflectir. VIVER.


Laila Franke

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Orbias - as guerreiras da deusa

“Orbias - as guerreiras da deusa” narra a história de Noemi, uma rapariga aparentemente normal, como todas as jovens adolescentes, que subitamente vê a sua vida mudar completamente. Descobre que é uma das seis guerreiras de Orbias, um mundo paralelo ao nosso, transformando-se na belíssima e famosa guerreira da omnisciência, o Anjo Guerreiro, líder das seis guerreiras.


Sebastian, um “orbiano” misterioso por quem Noemi acaba por ter “um fraquinho”, acorda-a transformando-a em Anjo e conta-lhe que o dever de cada uma das guerreiras é impedir que Orbias (criado pela Deusa) e o nosso mundo (criado por Deus) se unam outra vez, causando o caos em cada um deles.
Noemi apercebe-se que Sebastian, membro da sociedade escarlate, lhe omite muitas partes da história, provocando-lhe uma certa curiosidade.
Entretanto, a eles juntam-se mais guerreiras, descobrindo um inimigo que se espalha por todo o mundo, ocupando cargos muito importantes na Terra, a sociedade índigo, que tenta, a todo o custo, derrotar e eliminar as guerreiras para juntar os dois mundos.
Ao longo da trama desenrolam-se imensas batalhas entre as guerreiras e membros da sociedade inimiga, a maior parte, mulheres.
Noemi e Sebastian acabam por apaixonar-se, sendo separados por uma missão muito perigosa atribuída àquele pela sociedade escarlate.

Esta história é bastante divertida, sedutora e cheia de aventura, fazendo-nos viajar nas lindas e exóticas paisagens de Orbias.

Penso que o autor teve como pontos de referência para escrever o livro a própria região do Algarve. Notei que o capítulo em que Lorelei, uma das guerreiras, a sereia, se localiza, nada mais, nada menos, do que em Portimão – Handyport, ou Porto à mão. Reparei nas referências ao rio Erade, ou Arade e ao centro comercial da Grand City, ou seja, o Fórum do Algarve, em Faro, descrito no livro como “uma espécie de igreja”, a uma hora de distância de Portimão. Achei engraçado o conceito de “triganjas” formado da mistura de trigo e laranjas, o que associei a comida geneticamente modificada.

Como leitora de literatura fantástica que sou, confesso que este livro me conquistou.

Carina Dias

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Não te deixarei morrer, David Crockett


Estava indecisa sobre que livro que deveria ler. Tenho imensos livros em casa, posso dizer que é quase uma biblioteca, nem sei onde os pôr. Sou daquelas pessoas que estou a ler um livro, e deixo-o em metade, quando não estou a gostar ou quando aparece outro que me interesse mesmo. Mas naquele dia não tinha nenhum para ler, fui à prateleira do meu quarto e vi no meio de tantos, o livro de Miguel Sousa Tavares, que, como todos devem saber, é actualmente o comentador da TVI e que escreveu também o Equador- o mais vendido até agora - e muitos mais.


Este livro é uma selecção de artigos dispersos, uma reunião de textos inéditos e crónicas publicadas no jornal Público e na Revista Máxima, nos quais Sousa Tavares se expõe de uma forma quase infantil, ingénua: «David Crockett representa uma espécie de pureza inicial, um excesso de sentimentos e de sensibilidade, a ingenuidade e a fé, a hipótese fantástica da felicidade para sempre», justificação que o próprio escritor dá para a escolha do título do livro, dando igualmente a conhecer-se como alguém que não desiste da hipótese fantástica da felicidade.

O título do livro é extremamente apelativo porque se trata de uma declaração, quase um juramento, que se faz a um indivíduo, David Crockett.

Este era um protagonista de uma história infantil, que, tendo sofrido uma emboscada por um grupo de índios, foi transportado prisioneiro para um acampamento, onde uma linda índia cuidava dele, molhando-lhe a testa com água, tratando das suas feridas, vigiando o seu coma e murmurando para o seu prostrado e inconsciente guerreiro: “Não te deixarei morrer, David Crockett”. Foi baseado neste seu ídolo, que sempre o encantou, que Miguel Sousa Tavares, escreveu este livro, pois tal como ele diz «eu era David Crockett, que queria correr mundos e riscos, viver aventuras e desvendar mistérios, no entanto, teria de sofrer muito, mas encontraria sempre a tal índia que cuidaria das minhas feridas e não me deixaria morrer», por outras palavras, David Crockett apenas representou a sua infância repleta de aventuras, descobertas, riscos e de encontros.

O livro tem cerca de 38 pequenas histórias, versando vários assuntos e vários locais, mas quase todas têm como núcleo central, o amor.

Na minha opinião, este livro é uma reflexão constante sobre o mundo que nos rodeia e a vida do dia-a-dia. Revela uma serenidade impressionante acerca do que esperamos da vida. Aconselho vivamente este livro, de leitura fácil, o que torna o bastante acessível.

Márcia Vicente
 Se quiser ler o livro on-line, é só "clicar":
http://www2.eb23-guimaraes.rcts.pt/textos/Livros_online_PNL/David_Crockett.pdf":

sábado, 31 de outubro de 2009

Corações na Atlântida

“Um livro é um bom amigo”, sem dúvida.
Um livro é um bom amigo, não só porque nos transporta para uma outra dimensão, mais imaginativa, mais criativa, como também nos fornece uma cultura geral vastíssima e nos dá a conhecer novas palavras e expressões.
Ler um livro, seja ele qual for, é um desporto mental, que nos obriga a crescer.
Um dos livros que mais me marcou, até hoje, foi “Corações na Atlântida”, de Stephen King. O livro narra a história de três pessoas cujas vidas estão ligadas entre si, nem sempre devido a boas circunstâncias. À medida que estas pessoas crescem vão-se apercebendo de que os sonhos não são para quem está acordado.

Devido às circunstâncias da vida, estas três amizades acabam por se separar, encontrando-se mais tarde, devido às consequências de um acontecimento conjuntural, também abordado no livro de uma forma muito subtil, que marcou a história da Humanidade, a guerra do Vietname.

Um “thriller” que aconselho.


André Oliveira

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O Papalagui, comentários de Tuivauii, chefe da tribo Tiávea nos mares do Sul


Certo dia, a minha mãe perguntou-me que disciplinas iria eu escolher. Respondi prontamente, Geografia C e Antropologia. A minha mãe entusiasmou-se com a minha escolha pela disciplina de Antropologia e foi mergulhar no seu escritório à procura sabe-se lá de quê. Passaram-se uns 10 minutos e minha mãe não voltava, por fim, lá veio com um livreco na mão. O dito livro era de tamanho pequeno, A5 portanto, era de cor escura, tinha uma estranha imagem de ilustração de capa, e seu autor era um tal de Tuiavii, chefe de uma tribo dos mares do sul. Este livro não me chamou em nada a atenção, mas, pelo contrário, o discurso de minha mãe sim. Ela disse-me que qualquer aluno que quisesse estudar Antropologia deveria de ler este livro. Era, portanto, um livro basilar para o estudo da Antropologia. Era óbvio que eu o iria ler!
Nesse mesmo dia comecei a lê-lo. Logo a introdução, não do autor, mas sim de um alemão, Erich Scheurmann, dá-nos a definição de tão estranho título: Papalagui é o nome que Tuiavii dava ao branco, ao europeu. Ora bem, iremos às definições. Tuiavii era o chefe de uma tribo, que vivia na aldeia de Tiavéa. Essa aldeia situa-se na ilha de Upolu, pertencente ao arquipélago de Samoa, na Indonésia. Estas ilhas eram pertencentes ao Império Alemão do ultramar. Este senhor, chamado Erich Scheurmann, foi um antropólogo que foi viver com esta tribo, dessa aldeia, a fim de a estudar devidamente. No livro estão-nos apresentados todos os escritos do Tuiavii, sobre o Papalagui. Na sua infância, Tuiavii expressou um enorme desejo em visitar as terras da longínqua Europa. Contudo, apenas na idade adulta conseguiu tal feito. Ele visitou um por um todos os países europeus, assimilando conhecimentos precisos sobre o modo de vida e a cultura desses países. Este indígena, sem cultura erudita, possuía uma enorme capacidade de observação e conseguia tirar importantes ilações de coisas aparentemente insignificantes para nós. Essa observação era neutral, isenta de presunção ou preconceitos; nada o desviava da verdade, embora não abandonasse o seu ponto de vista.

O antropólogo Erich, teve um importante papel na difusão destes textos tão importantes para o estudo da Antropologia. Ele viveu na aldeia do Tuiavii durante mais do que um ano e tornou-se amigo do chefe da tribo. Este, por sua vez, mostrou-lhe os seus textos e deixou-o traduzi-los para alemão. Erich publicou-os após a sua chegada à Alemanha, sem o conhecimento do samoense.

Ora bem, e o que tem de tão interessante para nos contar que nós não saibamos? Tem toda uma nova perspectiva da nossa sociedade; tem a sua visão clara e a sua linguagem simples que nos mostram a sua filosofia que não provem do estudo mas sim da observação. É essencialmente um livro diferente; com uma perspectiva diferente. Pensemos nisto: se consideramos as sociedades do Oriente ou da Ásia diferentes, observemos quão diferente é a nossa sociedade para eles. Os Samoenses podiam não ter nenhum tipo de educação similar à nossa, nem conhecimentos eruditos como nós, mas não eram nenhuns “coitadinhos” para nós termos pena deles, muito pelo contrário, eles é que, à luz dos discursos do seu chefe de tribo, tinham pena de nós, por vivermos numa sociedade mergulhada nas trevas e fora do conceito de Deus.

Aconselho vivamente todos a lerem este livro, para melhor compreenderem a nossa sociedade.


Ruben Santos